A menopausa é uma fase natural da vida da mulher que traz mudanças hormonais significativas, impactando não apenas o corpo, mas também a função cognitiva. Um dos sintomas comuns dessa transição é a chamada “névoa mental” uma sensação de esquecimento, dificuldade de concentração e lentidão no raciocínio. Mas por que isso acontece? E o que pode ser feito para minimizar esse efeito?

O que causa a névoa mental na menopausa?

Estudos científicos apontam que a principal causa da névoa mental durante a menopausa é a queda nos níveis de estrogênio, hormônio que desempenha um papel essencial na saúde cerebral. O estrogênio influencia a plasticidade neuronal, a produção de neurotransmissores como a acetilcolina (fundamental para a memória) e o fluxo sanguíneo cerebral.

Além disso, outros fatores podem agravar a névoa mental nessa fase:

     

      • Alterações no sono: A insônia e os despertares noturnos são comuns na menopausa e prejudicam a consolidação da memória.

      • Estresse e ansiedade: A menopausa pode gerar maior vulnerabilidade ao estresse, que, por sua vez, compromete a cognição.

      • Resistência à insulina e inflamação: Mudanças metabólicas nessa fase podem impactar negativamente o funcionamento cerebral.

    Como melhorar a névoa mental?

    Apesar de ser um sintoma desconfortável, existem várias estratégias baseadas em evidências científicas para reduzir a névoa mental na menopausa:

    1. Alimentação equilibrada e rica em nutrientes

    A dieta tem um impacto direto na saúde cerebral. Estudos sugerem que uma alimentação baseada no padrão mediterrâneo — rica em gorduras saudáveis, antioxidantes e anti-inflamatórios — pode ajudar a manter a cognição. Alguns nutrientes essenciais incluem:

       

        • Ômega-3: Presente em peixes gordurosos, chia e linhaça, melhora a comunicação entre os neurônios.

        • Polifenóis: Encontrados em frutas vermelhas, chá verde e cacau, têm ação neuroprotetora.

        • Proteínas de qualidade: Essenciais para a produção de neurotransmissores, evitando oscilações na função cognitiva.

      2. Exercício Físico Regular

      A atividade física é uma das intervenções mais eficazes para manter a saúde cerebral. A prática regular de exercícios aeróbicos e musculação melhora a circulação sanguínea, reduz a inflamação e estimula a produção do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), essencial para a plasticidade neuronal.

      3. Sono de qualidade

      Melhorar a higiene do sono pode reduzir a névoa mental. Algumas estratégias incluem:

         

          • Criar uma rotina relaxante antes de dormir;

          • Evitar telas azuis à noite;

          • Manter horários regulares para deitar e acordar;

          • Reduzir o consumo de cafeína à tarde.

        4. Treino Cognitivo

        Desafiar o cérebro com novas aprendizagens e exercícios cognitivos ajuda a fortalecer as conexões neurais. Algumas formas eficazes incluem:

           

            • Aprender um novo idioma ou instrumento musical;

            • Jogos de lógica e memória;

            • Praticar mindfulness e meditação.

          5. Suporte Hormonal (quando indicado)

          Para algumas mulheres, a terapia de reposição hormonal (TRH) pode ser uma estratégia para aliviar os sintomas da menopausa, incluindo a névoa mental. A decisão deve ser individualizada e acompanhada por um profissional de saúde.

          6. Redução do Estresse e Autocuidado

          Práticas como ioga, meditação e técnicas de respiração ajudam a regular o cortisol, hormônio do estresse que pode afetar negativamente a cognição.

          A névoa mental na menopausa pode ser desafiadora, mas não precisa ser uma sentença definitiva. Com mudanças no estilo de vida, alimentação adequada e estratégias que promovem a saúde cerebral, é possível minimizar seus efeitos e manter a mente ativa e saudável. A menopausa é uma fase de transformação, e cuidar do cérebro faz parte do processo de bem-estar global.

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